Como os cientistas descobrem planetas que não conseguem fotografar?

A astronomia descobriu uma coisa curiosa: não é necessário ver diretamente um objeto para provar que ele existe

Quando pensamos em descobrir um planeta é fácil imaginar uma fotografia mostrando um pequeno mundo distante, talvez com oceanos azuis e continentes iluminados por uma estrela. Na prática, porém, a maioria dos exoplanetas conhecidos foi encontrada de uma maneira bem menos cinematográfica.

Isso acontece porque planetas são extremamente fracos em comparação com suas estrelas. Um planeta pode estar refletindo a luz de sua estrela a dezenas ou centenas de anos-luz de distância enquanto a própria estrela aparece como um gigantesco holofote cósmico. Os astrônomos não precisam necessariamente enxergar o planeta para descobrir que ele está lá.

Um dos métodos mais eficientes é chamado de método do trânsito . Imagine que um planeta passe exatamente entre sua estrela e a Terra. Durante esse trânsito ele bloqueia uma quantidade minúscula da luz da estrela. Para nós, isso aparece como uma pequena “queda no brilho”, mas telescópios conseguem detectar essas variações.

Se a queda acontece novamente em intervalos regulares os cientistas podem começar a montar um padrão e, a partir dele, conseguem estimar características como:

  • o tamanho aproximado do planeta;
  • o período de sua órbita;
  • a distância em relação à estrela;
  • e até algumas propriedades de sua atmosfera.

É como perceber que alguém está passando diante de uma janela porque a luz diminui por alguns minutos, mesmo sem conseguir enxergar a pessoa.

Redução do brilho com passagem de planeta

Existe outra técnica igualmente engenhosa: observar o movimento da própria estrela. Planeta e estrela exercem gravidade um sobre o outro, portanto, o planeta não fica simplesmente orbitando uma estrela completamente imóvel. Os dois giram em torno de um centro de massa comum e quando um planeta é suficientemente massivo esse movimento provoca pequenas oscilações na estrela.

Os astrônomos conseguem detectar essas oscilações analisando mudanças muito pequenas na luz da estrela, por meio do chamado efeito Dopple r (que consiste na mudança da frequência de uma onda quando há movimento entre a fonte emissora e quem está observando como, por exemplo, o som da sirene de uma ambulância que fica mais agudo quando se aproxima e mais grave quando se afasta). Logo, mesmo sem observar diretamente o planeta pode mostrar perceber sua influência gravitacional.

E, às vezes, conseguimos detectar até a atmosfera

Quando um exoplaneta passa diante de sua estrela parte da luz estelar pode atravessar a atmosfera do planeta antes de chegar aos nossos telescópios. Moléculas diferentes absorvem diferentes comprimentos de onda da luz e analisando esse padrão os cientistas podem procurar sinais associados a substâncias presentes na atmosfera. É uma espécie de impressão digital química.

No fim, a astronomia descobriu uma coisa curiosa: não é necessário ver diretamente um objeto para provar que ele existe. Em determinadas circunstâncias é possível obter imagens diretas de exoplanetaas apesar de ser particularmente difícil porque a estrela é milhões ou até bilhões de vezes mais brilhante que o planeta próximo a ela.

O brilho da estrela impede a visualização direta do planeta

Por isso, técnicas de ocultação da luz estelar e processamento especializado são usados para separar o sinal extremamente fraco do planeta. Às vezes, basta observar cuidadosamente a sombra que ele produz, o movimento que provoca ou a maneira como interfere na luz ao seu redor.


E é justamente assim que conseguimos descobrir mundos que estão a distâncias inimagináveis da Terra.


Quer continuar explorando o universo? Confira nossas sugestões de equipamentos e livros para começar sua própria jornada pela astronomia.

📚 Produtos recomendados

Livro - Cosmos, Editora Companhia Das Letras

Livro - Cosmos, Editora Companhia Das Letras

Escrito por um dos maiores divulgadores de ciência do século XX, Cosmos retraça 14 bilhões de anos de evolução cósmica, explorando tópicos como a origem da vida, o cérebro humano, hieróglifos egípcios, missões espaciais, a morte do sol, a evolução das galáxias e as forças e indivíduos que ajudaram a moldar a ciência moderna.

Ver na Amazon
Telescópio Profissional Skylife Nexor 90mm

Telescópio Profissional Skylife Nexor 90mm

Explore o extraordinário com o Telescópio Skylife Nexor 90 (Modelo 90500). Com design ótico refrator de alta performance, abertura potente e lentes de vidro totalmente multi-revestidas, este equipamento oferece uma capacidade de captação de luz 210 vezes superior ao olho humano.

Ver no Mercado Livre
Telescópio monocular 12X50

Telescópio monocular 12X50

Telescópio 80X100, telescópio monocular 12X50, telescópio astronômico 40X60, lupa, telescópio para observação de pássaro

Ver na Shopee
Como participante do Programa de Associados da Amazon, podemos receber comissão pelas compras qualificadas realizadas através dos links desta página, sem custo adicional para você.
Rolar para cima