Como os aplicativos de mapas conseguem prever quanto tempo você vai levar para chegar?

Entenda como aplicativos de mapas usam GPS, trânsito, dados históricos e algoritmos para calcular e atualizar o tempo de chegada.

Você coloca um endereço no aplicativo de mapas, escolhe o caminho e, em poucos segundos, aparece uma previsão: “Você chegará em 35 minutos.”

Mas como o aplicativo consegue saber disso? Ele não tem uma bola de cristal escondida no servidor, a estimativa é resultado da combinação de uma enorme quantidade de dados incluindo localização, velocidade dos veículos, características das ruas e informações sobre o trânsito.

E o mais interessante é que essa previsão pode ser recalculada várias vezes durante o trajeto. 

Primeiro, o aplicativo precisa saber onde você está e o ponto de partida é a localização do celular. Para determinar sua posição o aparelho pode utilizar sinais de satélites do sistema de posicionamento global, além de informações de redes Wi-Fi, antenas de telefonia e outros sensores.

Com isso, o aplicativo consegue identificar não apenas sua posição aproximada, mas também acompanhar seu deslocamento. É assim que ele sabe que você está naquela avenida e, alguns segundos depois, já está se aproximando do próximo cruzamento.

Mas como ele sabe se a rua está congestionada?

Aqui entra uma parte importante da tecnologia, imagine milhares de pessoas utilizando um aplicativo de mapas ao mesmo tempo. Muitos desses celulares estão se deslocando pelas mesmas ruas.

Os dados de localização, quando utilizados para esse tipo de serviço, podem ajudar a identificar a velocidade média do trânsito em determinados trechos. Se normalmente os veículos percorrem uma avenida a 50 km/h, mas naquele momento estão avançando muito mais devagar, o sistema pode detectar que existe uma alteração no fluxo.

O próprio comportamento dos veículos oferece essa informação.

O histórico também entra na conta

O aplicativo não olha apenas para o que está acontecendo agora, ele também pode considerar padrões históricos de trânsito. Uma avenida pode estar tranquila às 10h da manhã, mas ficar completamente diferente às 18h.

Da mesma forma, uma região próxima a uma escola pode apresentar um fluxo diferente nos horários de entrada e saída, enquanto uma estrada pode ter comportamentos distintos em dias úteis, finais de semana e feriados.

Esses padrões ajudam o sistema a estimar o que provavelmente acontecerá durante o restante da viagem.

Como ele escolhe entre duas rotas?

O caminho mais curto em quilômetros nem sempre é o mais rápido.

Uma rota de 15 quilômetros pode levar mais tempo do que outra de 20 quilômetros se tiver semáforos, congestionamentos ou velocidades médias menores.

Em vez de simplesmente procurar o caminho com a menor distância, os sistemas de navegação analisam diferentes fatores para calcular o custo de cada rota.

Um exemplo prático

Imagine que você queira percorrer 20 quilômetros dentro de uma cidade.

O aplicativo encontra duas possibilidades:

Rota A

– 15 km

– muitos semáforos

– trânsito intenso em dois trechos

– velocidade média estimada: 25 km/h

– chegada prevista: 36 minutos

Rota B

– 20 km

– menos cruzamentos

– trânsito mais fluido

– velocidade média estimada: 40 km/h

– chegada prevista: 30 minutos

Mesmo sendo 5 quilômetros mais longa, a Rota B pode ser apresentada como a opção mais rápida.

Agora imagine que, cinco minutos depois, o trânsito comece a se acumular na Rota B. O sistema recebe novos dados, recalcula os tempos e pode atualizar a previsão para 35 minutos. Se a Rota A continuar relativamente estável talvez as duas opções passem a ficar muito próximas.

É esse tipo de cálculo que transforma uma rede de ruas em uma previsão de chegada.

E se acontecer um acidente?

É justamente aí que a previsão pode mudar, imagine que o aplicativo tenha calculado uma rota de 30 minutos. Dez minutos depois acontece um acidente em uma das principais avenidas do caminho e o trânsito começa a ficar mais lento.

Conforme novos dados chegam, o sistema percebe que aquele trecho não está mais se comportando como esperado. A estimativa pode então aumentar e, dependendo da situação, o aplicativo pode até sugerir uma rota diferente.

Por isso, aquela frase “Você chegará às 18h35” não é uma promessa, é uma previsão baseada nas informações disponíveis naquele momento.

Por que o tempo muda mesmo quando você continua na mesma rota?

Porque o trânsito é dinâmico. Se você está dirigindo e percebe que o aplicativo passou de 25 para 29 minutos não significa necessariamente que você fez alguma coisa errada, pode ter acontecido uma mudança nas condições da estrada. Um trecho que estava fluindo bem pode ter ficado mais lento, por exemplo.

A estimativa é recalculada conforme a viagem acontece, incorporando as informações mais recentes disponíveis.

E os semáforos?

Eles também podem fazer diferença, mesmo que o aplicativo não saiba exatamente quando cada sinal ficará verde.

Uma sequência de semáforos pode aumentar bastante o tempo necessário para percorrer determinada avenida. Por isso, duas rotas com distâncias semelhantes podem apresentar tempos muito diferentes.

Além disso, alguns sistemas conseguem utilizar informações adicionais sobre determinadas vias e cruzamentos dependendo da região e dos dados disponíveis.

Quando a previsão erra?

Ela pode errar por vários motivos. Um acidente pode acontecer segundos depois de o sistema calcular a rota, uma chuva forte pode reduzir a velocidade dos veículos, una obra pode bloquear uma faixa, um evento pode provocar um congestionamento inesperado.

Também existem situações nas quais há poucos dados disponíveis sobre determinada estrada ou região, logo, quanto mais imprevisível for a situação maior pode ser a diferença entre a estimativa e o tempo real.

Isso não significa que o aplicativo esteja simplesmente “chutando”, significa que qualquer previsão feita sobre um sistema que muda continuamente possui uma margem de incerteza.

A tecnologia por trás de uma simples estimativa

Quando um aplicativo diz que você chegará em determinado horário existe muita coisa acontecendo nos bastidores.

Localização + dados de trânsito + velocidade dos veículos + características das vias + padrões históricos + algoritmos de previsão

Tudo isso é combinado para produzir uma informação extremamente simples de entender: “Você chega em 35 minutos.”

Uma função que parece banal no celular depende de sistemas capazes de processar enormes quantidades de informações e atualizar suas previsões continuamente.

Da próxima vez que o número mudar de 35 para 38 minutos no meio do caminho, portanto, você já sabe o que o aplicativo acabou de incorporar novas informações e recalcular a viagem.

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