Março de 1975. Sylvester Stallone tinha US$ 106 na conta, nenhum carro e um cachorro que ele tentava vender porque não conseguia bancar a ração. Pouco mais de dois anos depois, um roteiro que ele escreveu naquele mesmo mês ganhava o Oscar de Melhor Filme. O caminho entre uma coisa e outra é melhor do que muito filme por aí.
Uma luta e três dias de escrita
Em 24 de março de 1975, Muhammad Ali defendeu o título dos pesos-pesados contra Chuck Wepner, um boxeador considerado mediano e sem chance real. Ali venceu por nocaute no 15º round, mas Wepner aguentou a luta inteira e ainda derrubou o campeão em certo momento, uma queda que gerou polêmica.
Stallone assistiu àquilo e saiu pra escrever. Segundo vários relatos, o primeiro rascunho de Rocky ficou pronto em cerca de três dias. O roteiro só foi comprado depois de passar por nove revisões, também segundo esses relatos. E um detalhe: o próprio Stallone sempre negou que o Wepner tenha sido a inspiração direta.
A oferta que ele recusou
Depois de ouvir vários nãos, Stallone encontrou os produtores Irwin Winkler e Robert Chartoff. Eles ofereceram uma quantia alta pelos direitos, algo entre US$ 300 mil e US$ 350 mil, dependendo da fonte. Pra quem estava quase sem dinheiro, era uma fortuna. Ele recusou.
A condição era uma só: o papel principal tinha que ser dele. Segundo uma das fontes, os produtores chegaram a oferecer uns US$ 150 mil só pra ele deixar o Ryan O’Neal interpretar o Rocky. A resposta foi outro não.
O filme que custou um milhão
A United Artists topava bancar US$ 2 milhões se o protagonista fosse um nome grande, como Robert Redford, Burt Reynolds ou James Caan. Com o Stallone, o orçamento caiu pra US$ 1 milhão. Winkler e Chartoff ainda tiveram que assumir pessoalmente o risco se o filme estourasse esse valor. Estourou um pouquinho: fechou em US$ 1,1 milhão. Uma das fontes fala que ele recebeu só US$ 35 mil entre roteiro e atuação.
O retorno foi gigante. O filme, lançado em 1976, arrecadou cerca de US$ 225 milhões e levou o Oscar de Melhor Filme em 1977, além de Melhor Direção e Melhor Edição. O Stallone concorreu a Melhor Ator e a Melhor Roteiro Original.
E agora, no cinema
Essa mesma história vai virar filme: Eu Sou o Rocky, dirigido por Peter Farrelly, estreia nos cinemas brasileiros em 19 de novembro e narra como Stallone apostou em si mesmo pra interpretar o papel.
No fim das contas, o Rocky só existe porque um cara sem dinheiro disse não a uma pilha de dinheiro. Se você gosta desse tipo de bastidor, tem muito mais onde isso saiu aqui no ASSUNTO DO DIA.
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